quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Imagino-te a dormir, embalado no mais perfeito sono.
Sei bem, como se agora de olhos bem abertos te visse, a maneira infantil como abraças a almofada, a posição estranha das tuas mãos, o bafo quente que me fazias respirar.
Conheço o som da tua respiração, talvez porque a imagine todas as noites ainda pousada do meu lado.
A meio da noite, os meus feios pés, procuram desesperadamente o conforto dos teus.
Não preciso de mentir, sabes que já não durmo com um sorriso parvo de boneca e muito menos acordo a cantarolar.
Não sei onde ficou essa ‘Teresa’, mas sei que ao meu corpo já não pertence.
Já aceitei que o tempo não volta para trás, que amanhã não será tudo bom demais como em tempos foi. Já consigo dizer que acabou, sem ter nenhum tipo de reacção.
Ficaram tantas lembranças, tantos momentos e tantas músicas que hoje me enchem os olhos num mar de ti. Maldito amor, maldito tu que me deixaste e ainda existes.
Esta será a carta que nunca te vou entregar, a que não terás o prazer de ter na gaveta, para te poderes lembrar de mim.
Esta é a última carta, o derradeiro adeus.
O último, ‘amei-te.’

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