segunda-feira, 4 de julho de 2011

O tempo modifica tudo. As pessoas, os sentimentos, os valores, os anseios e tantas vezes as vontades. Mas para quem diz que tem o poder de nos fazer esquecer, eu discordo. Nós não esquecemos nada, o que acontece é que aprendemos a guardar as coisas nos seus devidos lugares. Não acontece quando queremos e precisamos, é verdade, mas um dia acordamos e por e simplesmente nos sentimos mais leves. Acordamos e peso do passado desapareceu. E é nesse dia e apenas nesse, que temos todas as forças para seguir em frente e viver tudo o que tinhamos vindo a adiar. As emoções que haviamos contido, podem correr livremente e isso pode saber incrivelmente bem. E nesse dia voltamos a ser bem-vindos á nossa vida, um novo capítulo começa.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

E junto com ele, acorrentado com ele, tudo foi. A força, a vontade, a razão, o meu ser. Agora sou o fruto dos dias que correm e aos quais me entrego. Sem ele, sou apenas ar. O meu corpo não responde, a minha cabeça não me ordena. Sou como o tempo e viajo conforme os seus desejos.
Sem ele não sei sentir, não sei o que sou ou o que faço aqui. Ele levou o Verão, a luz e o meu coração. Quero ir atrás Dele, correr, fugir, prendê-lo. Mas não consigo, não posso, não devo.
Faz frio, eu sei que sim, apenas não sinto. Não sei sentir, sem ti.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Ela sentia-se invadida pelo amor dele. Sentia-se penetrada brutalmente, consumida em excesso por ele e por esse sentimento que se tornava absurdo, de tão desmedido. Lembrava-se de um dia ter dito ou pensado, que no amor não existiam limites, barreiras ou cargas máximas. Mas tinha-se esquecido que o amor nem sempre vem em dose dupla como era suposto. Tinha-se também esquecido, que se pode estar perdido de amores por alguém que não se reconhece nesse mesmo sentimento.
Enquando se deixava envolver e arrastar por estes pensamentos, olhava para ele com toda a ternura que tinha em si e tentava não rir dos seus malabarismos para a tentar alcançar. Os olhos dele tinham paixão, tinham tudo o que ela sempre quis ter e foi aí que a sua cabeça se acalmou. Respirou fundo, tomou-lhe os braços e deixou-se ficar num abraço sem tempo nem hora. 'Talvez esse teu amor chegue para nós os dois.'

quarta-feira, 2 de março de 2011

O acordar sabia-lhe a um pesado vazio. Eram evidentes as marcas que haviam ficado da noite anterior. Levou horas a abrir os olhos e quando o fez, percebeu que tinha renascido para apenas mais um dia sem sentido. Precisava de tentar esquecer tudo o que sabia ter vivido horas antes, porque o que não tinha em memória, sentia em dobro de dor. A água fervia-lhe o corpo e só isso lhe conseguia aliviar o peso do pecado que sabia haver em si. Era como se o corpo não lhe pertence-se ou estivesse envolto numa camada de tudo o que ela não queria ser. A janela mostrava-lhe um dia cinzento e sentiu que sair de casa só a faria confundir-se com o céu. Voltou para a cama e fechou os olhos com toda a força que tinha... com a pouca força que tinha. 

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

O tempo vai apagando o significado e a definição das palavras. O mesmo acontece com os sentimentos. Um dia somos dilacerados por uma melancolia angustiante e no outro invadidos por um contentamento doentio. Privilégio de alguns que vivem sem sentir, privilégio de alguns que conseguem sentir tudo de todas as formas. Hoje sou o reflexo de quase tudo o que tentei ser e de muito do que fizeram de mim. Acredito que devia ser este o momento em que teria adquirido a capacidade de ser quem sou. Enganei-me. Continuo a acordar todos os dias com o mesmo desejo insaciável de me recriar, de mudar tudo e de começar de novo. Talvez seja essa a essência de continua presa aqui, de continuar presa a mim e de me conseguir amar todos os dias de uma maneira diferente. Um novo eu todos os dias, um novo tipo de amar todas as noites.