Entrei no quarto e já não tinhas a luz acesa. Tinhas
prometido esperar por mim e eu tinha como sempre, acreditado. A escuridão
trouxe assim o desassossego e a desilusão. Fui lavar os dentes, passar água fria pela
cara e deixar que as lágrimas pudessem assim correr, livres e transparentes.
Entrei no quarto, despi-me e pé ante pé fui até à cama, entrando muito
suavemente, evitando quase respirar. E é aí que o inesperado acontece. Tu
acendes a luz e abraças-me. Tu estavas à minha espera. Entrelaço as minhas
pernas nas tuas, como se a minha vida dependesse desse aperto. Tu beijas-me o
pescoço e eu sinto toda a penugem do meu corpo, saudar o teu toque. Sussurras-me
ao ouvido palavras e palavras e sequências de palavras e eu nada ouço. Fiquei
presa algures no tempo, desde que acendeste a luz. Agarrei o teu cabelo e viu-o
penetrar entre os meus dedos.
Acordei, virei a almofada, senti uma satisfação momentânea na
bochecha direita e tentei pegar no sono outra vez.