quinta-feira, 17 de março de 2011

Ela sentia-se invadida pelo amor dele. Sentia-se penetrada brutalmente, consumida em excesso por ele e por esse sentimento que se tornava absurdo, de tão desmedido. Lembrava-se de um dia ter dito ou pensado, que no amor não existiam limites, barreiras ou cargas máximas. Mas tinha-se esquecido que o amor nem sempre vem em dose dupla como era suposto. Tinha-se também esquecido, que se pode estar perdido de amores por alguém que não se reconhece nesse mesmo sentimento.
Enquando se deixava envolver e arrastar por estes pensamentos, olhava para ele com toda a ternura que tinha em si e tentava não rir dos seus malabarismos para a tentar alcançar. Os olhos dele tinham paixão, tinham tudo o que ela sempre quis ter e foi aí que a sua cabeça se acalmou. Respirou fundo, tomou-lhe os braços e deixou-se ficar num abraço sem tempo nem hora. 'Talvez esse teu amor chegue para nós os dois.'

quarta-feira, 2 de março de 2011

O acordar sabia-lhe a um pesado vazio. Eram evidentes as marcas que haviam ficado da noite anterior. Levou horas a abrir os olhos e quando o fez, percebeu que tinha renascido para apenas mais um dia sem sentido. Precisava de tentar esquecer tudo o que sabia ter vivido horas antes, porque o que não tinha em memória, sentia em dobro de dor. A água fervia-lhe o corpo e só isso lhe conseguia aliviar o peso do pecado que sabia haver em si. Era como se o corpo não lhe pertence-se ou estivesse envolto numa camada de tudo o que ela não queria ser. A janela mostrava-lhe um dia cinzento e sentiu que sair de casa só a faria confundir-se com o céu. Voltou para a cama e fechou os olhos com toda a força que tinha... com a pouca força que tinha.