quarta-feira, 2 de março de 2011
O acordar sabia-lhe a um pesado vazio. Eram evidentes as marcas que haviam ficado da noite anterior. Levou horas a abrir os olhos e quando o fez, percebeu que tinha renascido para apenas mais um dia sem sentido. Precisava de tentar esquecer tudo o que sabia ter vivido horas antes, porque o que não tinha em memória, sentia em dobro de dor. A água fervia-lhe o corpo e só isso lhe conseguia aliviar o peso do pecado que sabia haver em si. Era como se o corpo não lhe pertence-se ou estivesse envolto numa camada de tudo o que ela não queria ser. A janela mostrava-lhe um dia cinzento e sentiu que sair de casa só a faria confundir-se com o céu. Voltou para a cama e fechou os olhos com toda a força que tinha... com a pouca força que tinha.
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1 comentário:
Escreves tão bem.
Beijo *
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