Cerro as cortinas e mantenho as luzes caladas. Talvez esteja calor. Talvez esteja frio. Sinto-me quente aqui, neste meu pequeno grande forte. O cheiro que se apoderou deste quarto vai adormecendo as minhas dores. Mas ainda consigo ver que começo a habitar um verdadeiro caos. Fotografias rasgadas, livros abertos e fechados, filmes amontoados por todos os cantos, cadernos cheios de frases vazias. Quase tão vazias quanto eu. Por breves segundos respiro fundo e sinto uma ligeira vontade de acordar de tudo isto. Mas o impulso ainda não tem força suficiente, muito menos eu. Sinto-me assustadoramente fraca, como se tivesse perdido os sentidos de uma vez para sempre.
Já não sei distinguir o dia da noite e desaprendi a utilidade de um calendário se os números variam mas nada pralém disso. Sinto falta de ser feliz. Acima de tudo de saber o que é isso. Saber qual é o sentimento que nos incendeia as veias quando estamos nesse estado de alma. Talvez se deva viver primeiro para se poder conhecê-lo.
terça-feira, 1 de setembro de 2009
Esperar é imperativo. Não. Esperar é apenas ao que me quero agarrar. Talvez seja o que é preciso. Esperar por tudo e esperar por nada. Esperar que os dias deixem simplesmente de ser uma sequência interminável de perguntas sem respostas, caminhos sem saída e sonhos que sonho sem saber sequer sonhar. Espero que ao acordar o sol não me encadei os olhos, o céu tenha simplesmente deixado de ser azul. Espero que o meu pensamento deixe de pensar e arranje outra ocupação. Esperar, esperar, esperar. Fechar os olhos ao pesadelo, quando o pesadelo começa a ser sinónimo de continuar aqui. Quero libertar-me ao mesmo tempo que a pequena prisão em que caminho é o meu único porto seguro. Esta solidão que se apodera de mim e se vai entranhando na minha pele, pelo menos acalma as vozes. Malditas vozes que questionam, opinam e se preocupam. Posso viver uma existência triste, miserável se quiserem, mas é minha.
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