Procuro-te nas páginas abertas dos nossos livros, nos copos vazios mas ainda vermelhos, no fumo do teu cigarro sempre mal apagado. Parece que te foste embora na noite anterior, mas passou uma semana. Perguntas-me o que fiz até agora, sem ti. Respondo-te que não fiz nada pralém de te sobreviver a ausência. Suguei o teu cheiro de todos os recantos desta pequena casa, abraçei-te todas as noites na almofada e calei todas as músicas que pareciam gritar-te.
Não quero surpresas, não quero o sabor da campainha numa hora em que não te espere.
Quero a esmagadora dor de ter de suportar a tua ausência até ao fim, como sempre fiz, contando os dias e ao mesmo tempo senti-los na minha pele.
Por isso lembra-te que te espero, na nossa hora certa.
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