Não reconheço o teu cheiro, por mais que me agrade.
Penetrou em mim de forma repentina e violenta. Demorada e incisiva.
Não adivinhei os traços do teu corpo, não identifiquei os teus gemidos de nenhuma outra noite.
Abraçei o frio e o escuro de um espaço estranho, desconhecido e inadequado.
Quem eras tu, quem era eu, o que eramos nós, não fazia ideia.
Percorri o trajecto descontrolado do desejo e limitei-me a seguir os teus imaturos passos.
Foi diferente, novo e fresco. Mas ao mesmo tempo, não fui eu.
Fugi de ti e corri desenfriadamente para um colo quente e com toque familar.
Podes continuar a esperar-me. Voltarei a entrar nesse quarto e a tocar contigo essas paredes geladas.
Mas não serei verdadeiramente eu, contigo nunca eu.
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