quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Está um dia molhado e frio. Mas até eu que não gosto de frio, consigo admitir que o de hoje, é especialmente delicioso. Parece ter sido doseado cuidadosamente e acertaram na dose certa. De qualquer modo, não abusemos. Nã tenciono desfruta-lo por inteiro. Prefiro recostar-me, tomar o meu café e ver este dia correr lá fora. Por hoje não quero ser protagonista desta história. Hoje limito-me a observar tudo, de olhos fechados. Sentir as pessoas, os espaços, os odores, o movimento e o barulho. Hoje viverei os passos dos outros, os medos dos outros. 'Outrar-
me', como diria Pessoa. Ninguém conhecerá o meu dia de hoje. Será uma não data na minha existência, se assim o quiserem.

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Era isto que precisava, acima de qualquer outra coisa. Por um dia não ser tua. Não ser quem te ama e quem te quer. Não te desejar e não ansiar por ti e por nós. Não idealizar um outro futuro ou um regresso ao passado. Não te viver. Essencialmente não Te viver. Não tentar criar o teu pensamento e querer apoderar-me dele. Não te questionar mil e uma vezes. Não te impedir de deixares de viver para me viveres a mim. Não te roubar o ar para ser posuidora dele.
Hoje fugi do meu mundo, do meu porto seguro. E queria tanto que tivesse sido fácil, que tivesse sido de alguma forma libertador. Como me quis inutilmente enganar.
Foi um dia pesado. Senti medo, angústia. Um quase pânico interior. Faltou-me o chão e a força largou a minha mão. Senti-me perdida. Abandonada por todos. Quando todos se resume a ti. Mas isso seria desculpar-me por ser quem sou e tu não aceitarias isso. Sou quem tu amas, mesmo com todos estes defeitos.

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