E se calei o desejo, acreditei na vontade.
Mais uma noite, mais um quarto escuro, inquietante, impessoal.
Consegui sentir os cheiros de um sem fim de corpos suados que por ali teriam passado.
Corpos como o meu, ou talvez menos cansados, menos vividos, menos usados. Corpos que talvez sejam mesmo corpos e que apenas se perderam um dia qualquer. Diferentes assim do meu, que se perdeu um dia, de uma vez para sempre.
Tudo se passa mais uma vez, em movimentos calculados e frios. Óleos de odores baratos, instrumentos de forma peculiar, plásticos que se entranham em mim.
Trocas de palavras? Talvez um 'Boa noite', quem sabe um 'obrigado'.
Não me perguntem se foi a vida que escolhi, prefiro ser ridícula e dizer que acredito no destino, numa predestinação das coisas.
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