sábado, 30 de março de 2013


Às vezes o tempo vem e apaga tudo. Leva a dor, o ar e o mar. Outras vezes o tempo vai e deixa-nos engolir a dor, o ar e o mar. Outras vezes o tempo pára. É estranho como consegues sempre ficar depois de partir. Eu só consigo ficar, ficar, ficar. Comigo o tempo não passa só se arrasta. Não me lembro a última vez que abrir os estores. Um dia talvez deixa de saber falar, deixe de saber de que cor é o seu e me deixe apenas afogar nesta maldita cama. O meu único contato com o mundo lá fora é através do som do vento e a força com que passa como que a querer dizer-me alguma coisa. Não sei que dia da semana é, muito menos em que mês estamos. Para mim todos os dias são frios, tristes e espinhosos. A campainha ainda vai tocando mas nada acontece comigo. Não teria nada para dizer a essas pessoas quando já comigo falo tão pouco. Estou a ser só ser. Estou a viver como que numa anestesia constante, um estado de dormência física e mental. Vou dormir e sonhar que flutuo algures nesse mar, nesse turbulento e cálido mar.

Sem comentários: