Às vezes o tempo vem e apaga
tudo. Leva a dor, o ar e o mar. Outras vezes o tempo vai e deixa-nos engolir a
dor, o ar e o mar. Outras vezes o tempo pára. É estranho como consegues sempre
ficar depois de partir. Eu só consigo ficar, ficar, ficar. Comigo o tempo não
passa só se arrasta. Não me lembro a última vez que abrir os estores. Um dia
talvez deixa de saber falar, deixe de saber de que cor é o seu e me deixe
apenas afogar nesta maldita cama. O meu único contato com o mundo lá fora é através
do som do vento e a força com que passa como que a querer dizer-me alguma
coisa. Não sei que dia da semana é, muito menos em que mês estamos. Para mim todos
os dias são frios, tristes e espinhosos. A campainha ainda vai tocando mas nada
acontece comigo. Não teria nada para dizer a essas pessoas quando já comigo
falo tão pouco. Estou a ser só ser. Estou a viver como que numa anestesia
constante, um estado de dormência física e mental. Vou dormir e sonhar que
flutuo algures nesse mar, nesse turbulento e cálido mar.
Sem comentários:
Enviar um comentário