sábado, 23 de outubro de 2010

Mum.

É o verdadeiro sentido do amor incondicional. A noção do famoso 'aconteça o que acontecer', que se reflete neste sentimento de dimensões não-medíveis. É unico e nenhum outro a ele pode ser comparado. É um refúgio que tem o sabor doce do regresso a casa. É uma presença que longe ou perto, se consegue sentir sempre. É uma palavra que chegue no momento exacto em que precisa de ser ouvida. É um colo que vai crescendo para nos poder sempre embalar. São duas vidas, que no fim de contas são muito mais uma só.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Hoje é um daqueles dias que me pergunto o que é que faço aqui. Qual é o meu lugar neste mundo, qual é o meu plano. O que é que o destino programou pra mim. Perguntas mil, respostas zero. Sinto-me perdida, alguém que não pertence a lugar nenhum. Queria que aparecesse uma voz para me guiar nesta estrada que percorro sem sentido. Deixei de ver placas que me indiquem uma direção, um percurso. Achava-me alguém que se decidiu apaixonar pelo incerto, mas hoje vejo que esse pensamento não me trouxe nada além de vazio, e uma total insatisfação. Esse pensamento desapareceu por completo e deu lugar a sentimentos em todo apostos. Sinto hoje um desejo inquietante de realização pessoal, de metas e objectivos, de regras e limites. Sinto a minha cabeça a transbordar de ideias e não consigo agarrar nenhuma. Fecho os olhos e elas continuam lá. e eu continuo aqui, sem saber definir este 'aqui'. Não entendo que pessoa me tornei, nem o que fazer com ela. Mantenho a minha sede de aventura, liberdade, novidade, mas acordo e os meus pés continuam a não querer sair do chão. Esse tal plano que o Fado tem como dever traçar, não pode ser este. Não quero ser essa eterna insatisfeita. Este café, este cigarro
e este intrigante espaço em que me encontro, acabaram por me levar nesta viagem de auto-reflexão e mesmo sem respostas, consigo sair mais aliviada e mais tranquila deste 'comboio'.
Aguardo por um bilhete á minha vida. Só de ida.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Sinto a falta. De tudo e de nada. Do que foi e tão mais, de tudo o que poderia ter sido. Queria tudo de volta. Sem perguntas, sem problemas, complicações e consequências. Queria porque sim, parece-me mais que suficiente. A loucura das noites e a harmonia tranquila das manhãs. Como é que podemos não nos agarrar ao que estavamos a viver? Como é que podemos não ter consciência de que era quase demasiado perfeito?
A ansiedade de um beijo, preenche-me agora um dia inteiro. Vinte e quadro horas longas, dolorosas e solitárias. Se soubesse que ia ser assim, teria-te beijado durante todo o tempo que foi nosso.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Súplica

Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Ás urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.

Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor

Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.

Miguel Torga

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Está um dia molhado e frio. Mas até eu que não gosto de frio, consigo admitir que o de hoje, é especialmente delicioso. Parece ter sido doseado cuidadosamente e acertaram na dose certa. De qualquer modo, não abusemos. Nã tenciono desfruta-lo por inteiro. Prefiro recostar-me, tomar o meu café e ver este dia correr lá fora. Por hoje não quero ser protagonista desta história. Hoje limito-me a observar tudo, de olhos fechados. Sentir as pessoas, os espaços, os odores, o movimento e o barulho. Hoje viverei os passos dos outros, os medos dos outros. 'Outrar-
me', como diria Pessoa. Ninguém conhecerá o meu dia de hoje. Será uma não data na minha existência, se assim o quiserem.

. . .

Era isto que precisava, acima de qualquer outra coisa. Por um dia não ser tua. Não ser quem te ama e quem te quer. Não te desejar e não ansiar por ti e por nós. Não idealizar um outro futuro ou um regresso ao passado. Não te viver. Essencialmente não Te viver. Não tentar criar o teu pensamento e querer apoderar-me dele. Não te questionar mil e uma vezes. Não te impedir de deixares de viver para me viveres a mim. Não te roubar o ar para ser posuidora dele.
Hoje fugi do meu mundo, do meu porto seguro. E queria tanto que tivesse sido fácil, que tivesse sido de alguma forma libertador. Como me quis inutilmente enganar.
Foi um dia pesado. Senti medo, angústia. Um quase pânico interior. Faltou-me o chão e a força largou a minha mão. Senti-me perdida. Abandonada por todos. Quando todos se resume a ti. Mas isso seria desculpar-me por ser quem sou e tu não aceitarias isso. Sou quem tu amas, mesmo com todos estes defeitos.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Senti as mãos a tremer. O coração bater demasiado acelarado sem o conseguir acalmar. Todas as lágrimas que teimavam em querer cair, ganharam força muito mais do que suficente. De um momento para o outro, tudo era uma verdadeira mentira. 'Verdadeira mentira', engraçado, não? Estranho como a verdade e a mentira se conseguem passear de mãos dadas.
Hoje era o derradeiro dia. O dia em que já não podia fechar os olhos e fingir que era só um pesadelo. Nada mais que um pesadelo.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Os dias são agora uma infinidade de horas perdidas. Ninguém nos prepara para sofrer nem ninguém nos ensina a saber como sofrer. E duvido que existam boas e más formas de o fazer. É esse o poder do sofrimento, o de nos encurralar e principalmente de nos conseguir fazer duvidar de tudo. A dor traz-nos o poder de meter tudo em questão. Será que merecemos o que estamos a viver? Será que valeu a pena tudo o que ficou, para hoje chegarmos até aqui?
Mas não são essas as questões que mais magoam. O problema está no momento em que nos dedicamos a pensar se, numa 'questão a dois', não vivemos tudo sozinhos. Pensar que o sentimento e a felicidade, pode não ter sido o mesma da outra parte. Pensar que enquanto nós estamos a morrer por dentro, o Outro pode estar melhor. Melhor sem nós. E é nessa fase que tudo se começa lentamente a desmoronar e que a certo ponto não sabemos verdadeiramente nada. A memória começa a confundir-se com o sonho e a certo ponto, acabamos por simplesmente não conseguir fazer uma distinção.
Dizem que ao contrário da felicidade, só o sofrimento e a dor tem o poder de nos trazer ensinamentos. E a esses eu digo: 'Prefiro viver a minha ignorância emocional.'