segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Ela procura os pés dele na cama todas as noites. Passaram dias, meses, anos e o ritual dessa procura mantêm-se intacto. Existem coisas a que nos habituamos de tal forma, que acabamos por nos apoderar delas. Existem pessoas, momentos e vivências que por nossa culpa ou não, perdemos, e nunca conseguimos aprender a viver sem eles. Como aquelas pessoas que com a morte de um ente querido, sentem a necessidade de continuar a colocar o seu lugar na mesa, ela continuava a querer desesperadamente encontrar os seus pés debaixo dos lençois. Agora que sofre com isso, consegue lembrar-se de uma infinidade de noites em que o fazia, sem sentir nada além de um conforto. Hoje em dia, se o podesse fazer, sabe que seria inundidada por tantas mais sensações. Por tantos mais sentimentos. Questiona-se agora, se não existe a hipotese de esses sentimentos terem estado sempre lá e ela se ter limitado a adormece-los sem os ver. A única certeza que tem, é que esta é mais uma noite em que não vai conseguir fechar os olhos e voar ao planeta dos sonhos. Vai sim voar, mais uma vez por todo esse passado que partilhou com ele, por todas as situações em que hoje gostaria de regressar para poder mudar esta história.
Maldito clichê esse, de que só se dá valor ás coisas depois de as perder. Maldito pensamento por ser tão dolorosamente verdadeiro.

domingo, 7 de novembro de 2010

O melhor e o pior da vida são as surpresas.
Nunca a minha boca teve tanto sal. Este estado de alma é estranhamente o que de mais doloroso alguma vez senti. Os meus olhos teimam em não abrir e vão assim continuando a carregar o peso de todo este mal. Começo a crer que não fui talhada para ser feliz, para sentir equilíbrio e plenitude. Talvez tenha chegado a hora de me resignar ao meu destino. Talvez tenha chegado a hora de guardar a mala no armário e não esperar por viagem nenhuma.
Ou talvez este seja apenas um pesadelo e eu ainda tenha hipótese de acordar.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Nesta manhã aconchegante de Outuno, acordei com essa louca paixão por ti. Qual miúda endiabrada, de coração que lhe parece querer fugir. Acordei e despertei com todos os meus sentidos para este sentimento que me abraçou e que foi deliciosamente meu. Se esse homem que me presenteou este amanhecer, estivesse na cama, a meu lado, teria feito amor quente e desenfreado com ele, até a tarde chegar. Teria-lo amado nesta manhã, como se de uma vida inteira se tratasse. O quanto eu amei este homem, esta manhã. Foi como se tivesse saído do sono directamente para dentro do corpo dele. Acordei mais ele, do que eu. Ou talvez, mais nele do que em mim.
Agora nesta noite fria, não sei quem foi esse homem. Não quero vê-lo, nem senti-lo e por favor não o quero a meu lado. Imaginá-lo a percorrer o meu corpo, imaginar-me como parte dele... repugna-me.
Esta pessoa que sou, obriga-me a enveredar numa viagem em que o destino é sempre incerto e em que num dia se pode chegar ao Céu e nesse mesmo dia, conhecer os segredos do Inferno.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Não me sinto a pertencer a este mundo. Sinto-me fora de mim, fora do meu corpo. Não vejo razões para continuar a acordar para estes dias. Não sei o que faço aqui, o porquê desta jornada. Se o sentido da vida é uma busca incessante do nosso 'eu', declaro a minha partida. Se tenho que viver o resto dos meus dias, a percorrer caminhos e a encontrar becos sem saída e encruzilhadas, limito-me a desistir.
 Existe um vazio a pairar no ar, que me acorda para me sufocar e me prende aqui.
O meu corpo continua por aí e caminha todos os dias, mesmo que nunca chegando a lado algum. A minha cabeça ficou acorrentada no passado, em todos esses malditos pensamentos do passado.
Não me tentem encontrar. Acabarão por se perder também.

sábado, 23 de outubro de 2010

Mum.

É o verdadeiro sentido do amor incondicional. A noção do famoso 'aconteça o que acontecer', que se reflete neste sentimento de dimensões não-medíveis. É unico e nenhum outro a ele pode ser comparado. É um refúgio que tem o sabor doce do regresso a casa. É uma presença que longe ou perto, se consegue sentir sempre. É uma palavra que chegue no momento exacto em que precisa de ser ouvida. É um colo que vai crescendo para nos poder sempre embalar. São duas vidas, que no fim de contas são muito mais uma só.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Hoje é um daqueles dias que me pergunto o que é que faço aqui. Qual é o meu lugar neste mundo, qual é o meu plano. O que é que o destino programou pra mim. Perguntas mil, respostas zero. Sinto-me perdida, alguém que não pertence a lugar nenhum. Queria que aparecesse uma voz para me guiar nesta estrada que percorro sem sentido. Deixei de ver placas que me indiquem uma direção, um percurso. Achava-me alguém que se decidiu apaixonar pelo incerto, mas hoje vejo que esse pensamento não me trouxe nada além de vazio, e uma total insatisfação. Esse pensamento desapareceu por completo e deu lugar a sentimentos em todo apostos. Sinto hoje um desejo inquietante de realização pessoal, de metas e objectivos, de regras e limites. Sinto a minha cabeça a transbordar de ideias e não consigo agarrar nenhuma. Fecho os olhos e elas continuam lá. e eu continuo aqui, sem saber definir este 'aqui'. Não entendo que pessoa me tornei, nem o que fazer com ela. Mantenho a minha sede de aventura, liberdade, novidade, mas acordo e os meus pés continuam a não querer sair do chão. Esse tal plano que o Fado tem como dever traçar, não pode ser este. Não quero ser essa eterna insatisfeita. Este café, este cigarro
e este intrigante espaço em que me encontro, acabaram por me levar nesta viagem de auto-reflexão e mesmo sem respostas, consigo sair mais aliviada e mais tranquila deste 'comboio'.
Aguardo por um bilhete á minha vida. Só de ida.