sexta-feira, 18 de junho de 2010

Sinto a falta. De tudo e de nada. Do que foi e tão mais, de tudo o que poderia ter sido. Queria tudo de volta. Sem perguntas, sem problemas, complicações e consequências. Queria porque sim, parece-me mais que suficiente. A loucura das noites e a harmonia tranquila das manhãs. Como é que podemos não nos agarrar ao que estavamos a viver? Como é que podemos não ter consciência de que era quase demasiado perfeito?
A ansiedade de um beijo, preenche-me agora um dia inteiro. Vinte e quadro horas longas, dolorosas e solitárias. Se soubesse que ia ser assim, teria-te beijado durante todo o tempo que foi nosso.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Súplica

Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Ás urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.

Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor

Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.

Miguel Torga

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Está um dia molhado e frio. Mas até eu que não gosto de frio, consigo admitir que o de hoje, é especialmente delicioso. Parece ter sido doseado cuidadosamente e acertaram na dose certa. De qualquer modo, não abusemos. Nã tenciono desfruta-lo por inteiro. Prefiro recostar-me, tomar o meu café e ver este dia correr lá fora. Por hoje não quero ser protagonista desta história. Hoje limito-me a observar tudo, de olhos fechados. Sentir as pessoas, os espaços, os odores, o movimento e o barulho. Hoje viverei os passos dos outros, os medos dos outros. 'Outrar-
me', como diria Pessoa. Ninguém conhecerá o meu dia de hoje. Será uma não data na minha existência, se assim o quiserem.

. . .

Era isto que precisava, acima de qualquer outra coisa. Por um dia não ser tua. Não ser quem te ama e quem te quer. Não te desejar e não ansiar por ti e por nós. Não idealizar um outro futuro ou um regresso ao passado. Não te viver. Essencialmente não Te viver. Não tentar criar o teu pensamento e querer apoderar-me dele. Não te questionar mil e uma vezes. Não te impedir de deixares de viver para me viveres a mim. Não te roubar o ar para ser posuidora dele.
Hoje fugi do meu mundo, do meu porto seguro. E queria tanto que tivesse sido fácil, que tivesse sido de alguma forma libertador. Como me quis inutilmente enganar.
Foi um dia pesado. Senti medo, angústia. Um quase pânico interior. Faltou-me o chão e a força largou a minha mão. Senti-me perdida. Abandonada por todos. Quando todos se resume a ti. Mas isso seria desculpar-me por ser quem sou e tu não aceitarias isso. Sou quem tu amas, mesmo com todos estes defeitos.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Senti as mãos a tremer. O coração bater demasiado acelarado sem o conseguir acalmar. Todas as lágrimas que teimavam em querer cair, ganharam força muito mais do que suficente. De um momento para o outro, tudo era uma verdadeira mentira. 'Verdadeira mentira', engraçado, não? Estranho como a verdade e a mentira se conseguem passear de mãos dadas.
Hoje era o derradeiro dia. O dia em que já não podia fechar os olhos e fingir que era só um pesadelo. Nada mais que um pesadelo.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Os dias são agora uma infinidade de horas perdidas. Ninguém nos prepara para sofrer nem ninguém nos ensina a saber como sofrer. E duvido que existam boas e más formas de o fazer. É esse o poder do sofrimento, o de nos encurralar e principalmente de nos conseguir fazer duvidar de tudo. A dor traz-nos o poder de meter tudo em questão. Será que merecemos o que estamos a viver? Será que valeu a pena tudo o que ficou, para hoje chegarmos até aqui?
Mas não são essas as questões que mais magoam. O problema está no momento em que nos dedicamos a pensar se, numa 'questão a dois', não vivemos tudo sozinhos. Pensar que o sentimento e a felicidade, pode não ter sido o mesma da outra parte. Pensar que enquanto nós estamos a morrer por dentro, o Outro pode estar melhor. Melhor sem nós. E é nessa fase que tudo se começa lentamente a desmoronar e que a certo ponto não sabemos verdadeiramente nada. A memória começa a confundir-se com o sonho e a certo ponto, acabamos por simplesmente não conseguir fazer uma distinção.
Dizem que ao contrário da felicidade, só o sofrimento e a dor tem o poder de nos trazer ensinamentos. E a esses eu digo: 'Prefiro viver a minha ignorância emocional.'

domingo, 27 de dezembro de 2009

E foi assim que fechei o coração. Com direito a carta de despedida e a representação profunda de sentimentos. Decidi entregar-lhe a minha felicidade. Apertei-lhe as mãos com todas as forças que não tinha, beijei-lhe delicadamente a ponta dos dedos e vi o meu coração pela ultima vez. Esse coração
onde tu estavas dentro, entrenhado e perdido. Esse coração que te amou, amou, amou. Mesmo já esmagado nas mãos frias dela, tu continuavas lá e eu deixei-te. O amor é grande mas o arrependimento consegue ser maior. E conseguiu sufocar-me a este ponto. Quando dei por mim já não te tinha. Voltas-te ao ponto de partida e eu fiquei sem o meu ponto de chegada.
Esqueci-me de mim, para lhe curar a maldita dor. Entreguei-te a ela, porque só tu a podes tratar. Hoje eu não sei quem sou. Não sei como aqui cheguei. Não sei que caminhos percorrer, nem a quem darei a mão. Mas hoje eu sei que ainda te amo e que ela me perdoará.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Queria conseguir ler o teu coração. Ver onde dói e se meu nome ainda está preso no pescoço dessa ferida. Queria talvez o impossível, ser solução nessa historia onde fui problema. Não te posso pedir respostas, muito menos que me deixes ver nos teus olhos aquilo que precisas forçosamente de me esconder. Mas deixa-me de alguma forma alcançar-te e saber que terrenos pisas ou queres pisar. Deixa-me ver de que cor são os sonhos que tanto queres sonhar. Eu não tenho medo, mostra-me. Todo o sofrimento me preparou para te viver agora. Quero fechar os olhos e fechar-te os teus. Deixa-me dar-te a mão. Eu não sou a companhia perfeita, mas vou de pé descalço contigo para onde for.
Eu sei que vai doer. Eu sei que o pesadelo não acabou. Eu ainda choro e pior que tudo, ainda te ouço chorar. Mas a vida é agora e não podemos perder tempo. Preciso de sentir o chão a arder, o sangue a percorrer as minhas veias descontrolado. Preciso que me doa o coração ainda mais, para ganhar forças para curar o teu. Magoa-me mas deixa-me fazer esse caminho contigo. Prometo ser o teu apoio, prometo ser o que tiver de ser. Eu quero, por favor.