segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Queria conseguir ler o teu coração. Ver onde dói e se meu nome ainda está preso no pescoço dessa ferida. Queria talvez o impossível, ser solução nessa historia onde fui problema. Não te posso pedir respostas, muito menos que me deixes ver nos teus olhos aquilo que precisas forçosamente de me esconder. Mas deixa-me de alguma forma alcançar-te e saber que terrenos pisas ou queres pisar. Deixa-me ver de que cor são os sonhos que tanto queres sonhar. Eu não tenho medo, mostra-me. Todo o sofrimento me preparou para te viver agora. Quero fechar os olhos e fechar-te os teus. Deixa-me dar-te a mão. Eu não sou a companhia perfeita, mas vou de pé descalço contigo para onde for.
Eu sei que vai doer. Eu sei que o pesadelo não acabou. Eu ainda choro e pior que tudo, ainda te ouço chorar. Mas a vida é agora e não podemos perder tempo. Preciso de sentir o chão a arder, o sangue a percorrer as minhas veias descontrolado. Preciso que me doa o coração ainda mais, para ganhar forças para curar o teu. Magoa-me mas deixa-me fazer esse caminho contigo. Prometo ser o teu apoio, prometo ser o que tiver de ser. Eu quero, por favor.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

S.

E basta um segundo para serem derrubados todos os castelos que achavamos ter conquistado. Num segundo e o mundo fica de pernas para o ar. Acabam-se as certezas, os 'para sempre' e principalmente os tais, os supostos verdadeiros. Onde é que fica o incondicional? Onde morreu o inquebrável?
Tudo gira á volta de 'posições'. Conforme as pessoas mudam de posição mudam de comportamento. E isto faz-nos ter de cair no cliché do 'não faças aos outros o que não queres que te façam a ti'.
O pior é que tudo isto dói e muito mais do que devia. Achamos que podemos depositar toda a nossa confiança em alguém e de repente chega a Desilusão. Pensar que metemos tudo e todos em causa, para no fim sermos surpreendidos pelo inesperado.
Talvez amanhã me custe menos viver com tudo isto. Mas por hoje prefiro fechar os olhos e esquecer. Esquecer.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

R.

Não te peço respostas. Não te peço tempo que não me possas dar. Não te peço sorrisos quando são lágrimas que ainda tens em ti. O que te quero dizer é que não te quero pedir nada. E digo-te isto quando te queria poder pedir tudo. Sabes que sim. Queria tudo de novo e ainda com mais força. Tudo o que era nosso. Queria-nos a NÓS, com tudo o que isso representava (a).
É bom sentir saudades, quando sabemos quanto tempo demorará para o reencontro. Mas estas saudades que guardo, são amargas. Não sei quando vais efectivamente 'voltar' pra mim. Não sei quando te vou poder apertar sem sentir o teu desconforto. São demasiados porquês que me interpelam todos os dias. Cada vez mais.
Acalmam-me as minhas certezas. Saber que o que foi nosso, ninguém me poderá tirar. Todos os momentos, os incontáveis momentos, estão bem guardados. E por mais dias de chuva que ainda tenhamos de enfrentar, eu quero esperar. Eu vou esperar. Eu vou continuar na tua janela e esperar que o sol decida espreitar. Acredita em mim. Nesse dia eu vou lá estar. Estar como sempre estive. Com os braços e coração abertos pra te receber tal como és. Sempre gostei de ti. Com todos os teus defeitos e com tudo o que te torna tão especial.
Não quero sentir o frio de um lugar em que não queres estar. Só quero ir sonhando com o calor do nosso espaço. Aquele a que pertencíamos e que era o nosso porto seguro. Onde eramos uma da outra e nada mais era preciso.
Amo-te. Mesmo nestes dias cinzentos de chuva. Em que é a mim que não queres na tua janela.

R.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Queria poder de alguma forma materializar todos os momentos. Cada gesto, cada sítio, cada compasso. Poder ter tudo o que fomos, na minha mão de forma palpável e sim de algum modo egoísta. Não entendo o porquê de todos os meus porquês. Não sei decifrar a razão que me leva a prender os pés no chão e a matar-me um pouco mais por dentro. Que amor é este que não o pode ser? Ou que amor é este que apenas o sei amar e não viver? E maldito tu que estas em todo o lado e que me obrigas a perseguir-te com o coração. Se o amor é o primeiro de todos os sentimentos e está tão vincado em mim, porque é que tudo o resto me impede de lutar? Mil e um porquês seguidos de mil e um lugares vazios.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Por ti já vivi muito e já morri ainda mais.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Cerro as cortinas e mantenho as luzes caladas. Talvez esteja calor. Talvez esteja frio. Sinto-me quente aqui, neste meu pequeno grande forte. O cheiro que se apoderou deste quarto vai adormecendo as minhas dores. Mas ainda consigo ver que começo a habitar um verdadeiro caos. Fotografias rasgadas, livros abertos e fechados, filmes amontoados por todos os cantos, cadernos cheios de frases vazias. Quase tão vazias quanto eu. Por breves segundos respiro fundo e sinto uma ligeira vontade de acordar de tudo isto. Mas o impulso ainda não tem força suficiente, muito menos eu. Sinto-me assustadoramente fraca, como se tivesse perdido os sentidos de uma vez para sempre.
Já não sei distinguir o dia da noite e desaprendi a utilidade de um calendário se os números variam mas nada pralém disso. Sinto falta de ser feliz. Acima de tudo de saber o que é isso. Saber qual é o sentimento que nos incendeia as veias quando estamos nesse estado de alma. Talvez se deva viver primeiro para se poder conhecê-lo.
Esperar é imperativo. Não. Esperar é apenas ao que me quero agarrar. Talvez seja o que é preciso. Esperar por tudo e esperar por nada. Esperar que os dias deixem simplesmente de ser uma sequência interminável de perguntas sem respostas, caminhos sem saída e sonhos que sonho sem saber sequer sonhar. Espero que ao acordar o sol não me encadei os olhos, o céu tenha simplesmente deixado de ser azul. Espero que o meu pensamento deixe de pensar e arranje outra ocupação. Esperar, esperar, esperar. Fechar os olhos ao pesadelo, quando o pesadelo começa a ser sinónimo de continuar aqui. Quero libertar-me ao mesmo tempo que a pequena prisão em que caminho é o meu único porto seguro. Esta solidão que se apodera de mim e se vai entranhando na minha pele, pelo menos acalma as vozes. Malditas vozes que questionam, opinam e se preocupam. Posso viver uma existência triste, miserável se quiserem, mas é minha.