Ela sentia-se invadida pelo amor dele. Sentia-se penetrada brutalmente, consumida em excesso por ele e por esse sentimento que se tornava absurdo, de tão desmedido. Lembrava-se de um dia ter dito ou pensado, que no amor não existiam limites, barreiras ou cargas máximas. Mas tinha-se esquecido que o amor nem sempre vem em dose dupla como era suposto. Tinha-se também esquecido, que se pode estar perdido de amores por alguém que não se reconhece nesse mesmo sentimento.
Enquando se deixava envolver e arrastar por estes pensamentos, olhava para ele com toda a ternura que tinha em si e tentava não rir dos seus malabarismos para a tentar alcançar. Os olhos dele tinham paixão, tinham tudo o que ela sempre quis ter e foi aí que a sua cabeça se acalmou. Respirou fundo, tomou-lhe os braços e deixou-se ficar num abraço sem tempo nem hora. 'Talvez esse teu amor chegue para nós os dois.'
quinta-feira, 17 de março de 2011
quarta-feira, 2 de março de 2011
O acordar sabia-lhe a um pesado vazio. Eram evidentes as marcas que haviam ficado da noite anterior. Levou horas a abrir os olhos e quando o fez, percebeu que tinha renascido para apenas mais um dia sem sentido. Precisava de tentar esquecer tudo o que sabia ter vivido horas antes, porque o que não tinha em memória, sentia em dobro de dor. A água fervia-lhe o corpo e só isso lhe conseguia aliviar o peso do pecado que sabia haver em si. Era como se o corpo não lhe pertence-se ou estivesse envolto numa camada de tudo o que ela não queria ser. A janela mostrava-lhe um dia cinzento e sentiu que sair de casa só a faria confundir-se com o céu. Voltou para a cama e fechou os olhos com toda a força que tinha... com a pouca força que tinha.
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
O tempo vai apagando o significado e a definição das palavras. O mesmo acontece com os sentimentos. Um dia somos dilacerados por uma melancolia angustiante e no outro invadidos por um contentamento doentio. Privilégio de alguns que vivem sem sentir, privilégio de alguns que conseguem sentir tudo de todas as formas. Hoje sou o reflexo de quase tudo o que tentei ser e de muito do que fizeram de mim. Acredito que devia ser este o momento em que teria adquirido a capacidade de ser quem sou. Enganei-me. Continuo a acordar todos os dias com o mesmo desejo insaciável de me recriar, de mudar tudo e de começar de novo. Talvez seja essa a essência de continua presa aqui, de continuar presa a mim e de me conseguir amar todos os dias de uma maneira diferente. Um novo eu todos os dias, um novo tipo de amar todas as noites.
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Ela procura os pés dele na cama todas as noites. Passaram dias, meses, anos e o ritual dessa procura mantêm-se intacto. Existem coisas a que nos habituamos de tal forma, que acabamos por nos apoderar delas. Existem pessoas, momentos e vivências que por nossa culpa ou não, perdemos, e nunca conseguimos aprender a viver sem eles. Como aquelas pessoas que com a morte de um ente querido, sentem a necessidade de continuar a colocar o seu lugar na mesa, ela continuava a querer desesperadamente encontrar os seus pés debaixo dos lençois. Agora que sofre com isso, consegue lembrar-se de uma infinidade de noites em que o fazia, sem sentir nada além de um conforto. Hoje em dia, se o podesse fazer, sabe que seria inundidada por tantas mais sensações. Por tantos mais sentimentos. Questiona-se agora, se não existe a hipotese de esses sentimentos terem estado sempre lá e ela se ter limitado a adormece-los sem os ver. A única certeza que tem, é que esta é mais uma noite em que não vai conseguir fechar os olhos e voar ao planeta dos sonhos. Vai sim voar, mais uma vez por todo esse passado que partilhou com ele, por todas as situações em que hoje gostaria de regressar para poder mudar esta história.
Maldito clichê esse, de que só se dá valor ás coisas depois de as perder. Maldito pensamento por ser tão dolorosamente verdadeiro.
Maldito clichê esse, de que só se dá valor ás coisas depois de as perder. Maldito pensamento por ser tão dolorosamente verdadeiro.
domingo, 7 de novembro de 2010
Nunca a minha boca teve tanto sal. Este estado de alma é estranhamente o que de mais doloroso alguma vez senti. Os meus olhos teimam em não abrir e vão assim continuando a carregar o peso de todo este mal. Começo a crer que não fui talhada para ser feliz, para sentir equilíbrio e plenitude. Talvez tenha chegado a hora de me resignar ao meu destino. Talvez tenha chegado a hora de guardar a mala no armário e não esperar por viagem nenhuma.
Ou talvez este seja apenas um pesadelo e eu ainda tenha hipótese de acordar.
Ou talvez este seja apenas um pesadelo e eu ainda tenha hipótese de acordar.
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Nesta manhã aconchegante de Outuno, acordei com essa louca paixão por ti. Qual miúda endiabrada, de coração que lhe parece querer fugir. Acordei e despertei com todos os meus sentidos para este sentimento que me abraçou e que foi deliciosamente meu. Se esse homem que me presenteou este amanhecer, estivesse na cama, a meu lado, teria feito amor quente e desenfreado com ele, até a tarde chegar. Teria-lo amado nesta manhã, como se de uma vida inteira se tratasse. O quanto eu amei este homem, esta manhã. Foi como se tivesse saído do sono directamente para dentro do corpo dele. Acordei mais ele, do que eu. Ou talvez, mais nele do que em mim.
Agora nesta noite fria, não sei quem foi esse homem. Não quero vê-lo, nem senti-lo e por favor não o quero a meu lado. Imaginá-lo a percorrer o meu corpo, imaginar-me como parte dele... repugna-me.
Esta pessoa que sou, obriga-me a enveredar numa viagem em que o destino é sempre incerto e em que num dia se pode chegar ao Céu e nesse mesmo dia, conhecer os segredos do Inferno.
Agora nesta noite fria, não sei quem foi esse homem. Não quero vê-lo, nem senti-lo e por favor não o quero a meu lado. Imaginá-lo a percorrer o meu corpo, imaginar-me como parte dele... repugna-me.
Esta pessoa que sou, obriga-me a enveredar numa viagem em que o destino é sempre incerto e em que num dia se pode chegar ao Céu e nesse mesmo dia, conhecer os segredos do Inferno.
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