terça-feira, 11 de novembro de 2008

Deito-me acompanhada da perfeita música de 'domingo'.
Acho que não saberia viver sem a música, sem tudo o que ela representa em mim.
Deixo-me embriagar por cada palavra que sei decor e por aquele ritmo que ainda hoje me arrepia.
Volto ao tempo que te desconhecia e que te começava a desejar de forma inconsequente. Volto ao momento em que só existíamos eu, tu e a lua.
Consigo reviver tudo e saborear a força de duas mãos que ainda não se sabiam tocar, mas que se queriam de verdade.
Regresso á hora exacta em que tudo o que nos podia rodear desvanesceu e ficámos os dois sozinhos, perdidos na loucura de um momento que era inteiramente nosso. Apertaste-me num abraço que só tu me saberias dar e desfrutámos do que veria a ser o melhor beijos das nossas vidas.
Foi intenso, certo e errado. Foi como um 'pensativo cigarro' que se decide partilhar.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Estava perdida algures no meio daquela multidão que me esmagava e daquela música que me adormecia em pensamentos vividos e sonhados.
Não precisava de qualquer tipo de manifestação tua, para perceber a tua presença lá.
Conhecia o teu respirar, o teu olhar solto e o teu ouvido inquieto no meio de todos aqueles sons.
Procurei-te de olhos fechados e foi de olhos fechados que te encontrei. O mesmo sorriso de Duchenne de sempre e o ligeiro nervoso ao ver-me aproximar.
Voltei a fechar os olhos para não poder tocar os meus olhos nos teus e sustive a respiração para não me ouvires suspirar-te.
Não demorou a que deixasse de suportar aquele momento. Sim fugi, mas na esperança imatura de que correrias atrás e me pedirias para ficar.

domingo, 9 de novembro de 2008

Não nos soubemos despedir e nunca o saberemos ou sequer tentaremos fazer.
O reencontro, após essa inexistência de adeus, foi como o primeiro dia. Senti o sufoco dos nossos corações que no mesmo segundo não souberam respirar e senti o calor desse desejo a pairar como sempre acontecia.
Perdi noção de tudo e não soube o que dizer ou o que fazer. Fiquei presa nos teus olhos que de repente me engoliram e dei-te em pensamento o abraço reconfortante e quente que tanto precisavas. Passei a noite num corropio de sensações, em que me fui perdendo e encontrando no que me rodeava.
O regresso a casa foi acompanhado por algum excesso de alcool que me fazia viajar no tempo. Persegui-te nas noites em que te tirava o sono, em noites que te soube verdadeiramente amar.
O acordar trouxe a realidade e a frieza que esta carrega.
Nunca saberás que me terás sempre do teu lado.

domingo, 24 de agosto de 2008

E se calei o desejo, acreditei na vontade.
Mais uma noite, mais um quarto escuro, inquietante, impessoal.
Consegui sentir os cheiros de um sem fim de corpos suados que por ali teriam passado.
Corpos como o meu, ou talvez menos cansados, menos vividos, menos usados. Corpos que talvez sejam mesmo corpos e que apenas se perderam um dia qualquer. Diferentes assim do meu, que se perdeu um dia, de uma vez para sempre.
Tudo se passa mais uma vez, em movimentos calculados e frios. Óleos de odores baratos, instrumentos de forma peculiar, plásticos que se entranham em mim.
Trocas de palavras? Talvez um 'Boa noite', quem sabe um 'obrigado'.
Não me perguntem se foi a vida que escolhi, prefiro ser ridícula e dizer que acredito no destino, numa predestinação das coisas.

domingo, 3 de agosto de 2008

Percorro ruas e ruas sem fim, ansiando que a tua mão me corte o passo e me obrigue a partir.
Sinto o teu cheiro dentro de mim como se ao me encontrares te tivesses deixado ficar. Estou embriagada nesta obcessão de necessitar possuir-te. Estas por todo o lado, já não sei como fugir deste desejo que sei ser insaciável. Desespero pelo momento em que me farás calar com a tua respiração sufocada e ao compasso dos meus gemidos. As tuas mãos vigorosas de força que não sabes controlar, a agarrarem as minhas coxas em movimentos insanos e repletos de ânsia.

domingo, 29 de junho de 2008

Não reconheço o teu cheiro, por mais que me agrade.
Penetrou em mim de forma repentina e violenta. Demorada e incisiva.
Não adivinhei os traços do teu corpo, não identifiquei os teus gemidos de nenhuma outra noite.
Abraçei o frio e o escuro de um espaço estranho, desconhecido e inadequado.
Quem eras tu, quem era eu, o que eramos nós, não fazia ideia.
Percorri o trajecto descontrolado do desejo e limitei-me a seguir os teus imaturos passos.
Foi diferente, novo e fresco. Mas ao mesmo tempo, não fui eu.
Fugi de ti e corri desenfriadamente para um colo quente e com toque familar.
Podes continuar a esperar-me. Voltarei a entrar nesse quarto e a tocar contigo essas paredes geladas.
Mas não serei verdadeiramente eu, contigo nunca eu.

terça-feira, 27 de maio de 2008

É um frio que me percorre todo o corpo. Navega em cada pequena extremidade e vai desaguar a ti.
Nesse segundo vão-se os medos, as inseguranças e os vazios.
Veem as temidas vontades, o desejo incontrolável e o folêgo descompensado.